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Entrevista ao Electrão

O nosso país ainda possui alguns problemas a nível de gestão de resíduos, e por isso, é muito importante darmos destaque às entidades que têm vindo a lutar, a sensibilizar e a inspirar para que a mudança se dê.

E foi por essa razão, que neste mês de Agosto quisemos fazer uma entrevista ao Electrão – Associação de Gestão de Resíduos. Estivemos à conversa com o seu Director Geral, o Eng. Pedro Nazareth, e estamos mesmo agradecidos por toda a informação que partilhou connosco e pela sua disponibilidade para o fazer.

É muito importante percebermos o que está por trás das associações que trabalham para nos ajudarem a evitar o desperdício, quer sejamos pessoas individuais ou empresas. Cada vez mais, devemos dar valor às mesmas e procurar passar a mensagem do seu trabalho.

Esperamos mesmo que gostem desta entrevista tanto quanto nós. Ficámos muito surpreendidos com algumas das respostas que obtivemos e achamos que também irão ficar!

1. Qual é a história por trás do Electrão?

entrevista electrão

O Electrão foi fundado em 2005 por um conjunto de empresas do sector , eléctrico e electrónico, numa altura em que a implementação dos sistemas de responsabilidade alargada do produtor ainda dava os primeiros passos no país.

Entre 2006 e 2009 implementou o sistema de reciclagem de pilhas e equipamentos elétricos estabelecendo uma rede de recolha, triagem, tratamento e reciclagem através da contratação com diferentes agentes económicos.

Em 2014, iniciou-se uma fase de profunda reforma do modelo logístico de recolha destes resíduos, de expansão das redes de recolha e de aposta em comunicação, o que se traduziu num aumento de resíduos recolhidos directamente pelo Electrão.

Em 2017 o Electrão passou a actuar numa lógica multifluxo de resíduos, para explorar as diferentes sinergias operacionais, abarcando a gestão das embalagens.

O Electrão é hoje a entidade responsável por três dos principais sistemas de recolha e reciclagem de resíduos: embalagens, pilhas e equipamentos elétricos usados. Gere uma rede de recolha de equipamentos elétricos e pilhas usadas com mais de 6000 locais dispersos por todo o território nacional, além de ser responsável pela reciclagem de embalagens em todo o país.

Orgulhamo-nos deste percurso. O balanço que fazemos é francamente positivo apesar de muito marcado pelo que falta fazer para que o país cumpra com as metas de recolha e reciclagem. Não podemos deixar de salientar que o Electrão, em conjunto com os diferentes parceiros, teve um papel determinante na estruturação de um sistema que está preparado, mais do que nunca, para responder às ambições ambientais que são de todos.

 

2. Com todas as notícias que têm saído sobre catástrofes naturais como é que encaram o futuro e o vosso papel na nossa sociedade?

O recente relatório do IPCC (sigla inglesa de Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas), divulgado a 9 de Agosto, veio dizer-nos que o planeta está a aquecer mais e mais depressa do que se pensava. A temperatura média vai subir 1,5 graus até 2030, mais cedo do que estava previsto. Os cientistas confirmam, mais uma vez, neste relatório, a enorme influência humana no aquecimento global e nos eventos extremos que já se fazem sentir. É responsabilidade de todos fazer o que ainda está ao nosso alcance para mitigar os efeitos das alterações climáticas.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, sublinha que este relatório deve ser encarado como um “alerta vermelho para a Humanidade” e deve fazer soar os alarmes. O sector dos resíduos não está arredado desta urgência climática e quer continuar a fazer parte da solução. Os hábitos de consumo e a forma como produzimos, utilizamos e reciclamos os materiais e produtos que consumimos são determinantes na equação climática.

O Electrão investiu ao longo destes anos cerca de duas dezenas de milhões de euros em iniciativas de comunicação e sensibilização para promover a alteração de comportamentos e a correta separação de embalagens, pilhas e equipamentos elétricos usados. 

Mas a responsabilidade não está só do lado do consumidor. Existe a necessidade urgente dos agentes económicos dos diferentes sistemas de reciclagem – empresas, distribuidores, empresas de instalação, manutenção e reparação, municípios, sistemas de gestão de resíduos urbanos, operadores de gestão de resíduos e, naturalmente, entidades gestoras – convergirem num entendimento relativamente à responsabilidade de cada um com vista a este grande desígnio global que é a proteção do planeta.

3. Na vossa opinião, o que é que as empresas podem melhorar, para que se consiga diminuir o desperdício?

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O Electrão pretende continuar a ser um parceiro na transição para os modelos económicos circulares e nesse sentido tem desenvolvido propostas de valor específicas para as empresas aderentes. Hoje recolhemos fundamentalmente equipamentos usados e embalagens para tratamento e reciclagem dos materiais, mas pretendemos evoluir no sentido da reintrodução destes nas cadeias de produção e consumo promovendo a reutilização, a remanufactura ou mesmo uma reciclagem ainda mais eficiente e orientada para o produto e respetivos materiais.  

É um esforço de aproximação muito forte entre as cadeias de produção e o fim de vida dos produtos e das embalagens e esta evolução vai exigir uma vocação mais operacional do Electrão. 

 

4. Tivemos conhecimento que alguns dos vossos locais de recolha foram roubados. Como é que estes impactaram o vosso trabalho?

Os Bombeiros de Marco de Canaveses denunciaram recentemente o roubo de eletrodomésticos doados pela população à associação humanitária que está a reunir resíduos no âmbito da campanha “Quartel Electrão”, dinamizada por nós. É uma situação que lamentamos, mas que infelizmente também se regista em pontos de recolha da rede Electrão. Muitos acontecem na via pública antes da chegada das viaturas dos serviços municipais.

O Electrão tem feito do combate ao mercado paralelo uma das suas bandeiras. Os equipamentos desviados do circuito oficial de recolha, dado o seu valor, são canalizados para operadores que não os descontaminam, o que implica graves prejuízos para a saúde humana e para o ambiente. Por outro lado, esta é uma situação que impede que possamos contribuir para o cumprimento das exigentes metas nacionais de recolha e reciclagem de pilhas e equipamentos eléctricos usados.

  

5. A vossa mais recente iniciativa foi o “Faz mais pelo Planeta”, onde convidaram personalidades que têm vindo a fazer a diferença pelo ambiente. Acham que é importante, esta influência e inspiração, para que se comece a mudar mentalidade? O que vos motivou a criarem este movimento?

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O Electrão trabalha diariamente no esforço de sensibilização e educação para levar os portugueses a reciclar cada vez mais e melhor. A evolução é notória, ano após ano, fruto dessa aposta na sensibilização, mas há ainda um vasto caminho a percorrer. Conscientes do que há ainda a fazer lançámos em Maio o movimento “Faz pelo Planeta By Electrão”. Trata-se de uma campanha que quer trazer para a ribalta os extraordinários ambientalistas anónimos que são cidadãos exemplares a este nível. Queremos que sirvam de inspiração e que se tornem verdadeiros “big changers”. Como salientam os influencers, que são nossos parceiros neste projecto, não é preciso operar grandes mudanças. Ter um saco reutilizável à porta, recusar as palhinhas, usar uma garrafa de água reutilizável e separar as embalagens, por exemplo, são pequenos gestos que podem fazer a diferença.

Este deveria ser um desígnio nacional que deveria merecer o envolvimento de todos os stakeholders, começando no cidadão, Governo e administração central, mas sem esquecer as autarquias e empresas.

E porque o papel das empresas é fundamental queremos também premiar, no âmbito desta campanha em particular, os “corporate changers”, aquelas pessoas que fazem a diferença a este nível dentro das organizações e que funcionam como impulsionadores da mudança.

 6. Para finalizar, gostávamos que deixassem uma mensagem para todos os nossos seguidores sobre o futuro do nosso planeta.

Se não pode ser um big changer, seja um pequeno agente de mudança. Comece com pequenos gestos em sua casa ou no seu local de trabalho. O planeta agradece. Se não pode ser como a Ana Milhazes, a Ana Masiello, a Catarina Leitão, a Rita Leitão, a Catarina Matos, o Gonçalo de Carvalho, a Inês Soares, a Joana Tadeu ou a Raquel Gaspar – os influencers que nos ajudam a projetar esta campanha – seja um pequeno embaixador da mudança.

Visite o site ondereciclar.pt para descobrir os locais de recolha mais convenientes onde pode depositar corretamente os resíduos produzidos. Queremos continuar a recolher e a reciclar cada vez mais e melhor, como é o nosso lema, e para isso precisamos do envolvimento de todos. Dos grandes e dos pequenos agentes.

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