[Parte 1] Triagem do Plástico. Como funciona?

São muitas as dúvidas que temos relativamente à reciclagem. Como é feita a triagem, o que é efetivamente reciclado ou não, entre muitas outras questões. Devido à falta de informação ou informação contraditória disponível, decidimos ir ver com os nossos próprios olhos como funciona todo este mundo da triagem e tirar as dúvidas in-situ. Assim, fomos visitar um dos centros de triagem existentes em Portugal, o Ecoparque do Seixal – a Amarsul.

Para quem não conhece a Amarsul, esta é responsável pelo tratamento e valorização dos resíduos urbanos dos 9 municípios da Península de Setúbal (Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal). Neste Ecoparque, a Amarsul dispõe de Centro de Triagem, Aterro, Unidade de Tratamento de Biogás e Centro de Valorização Orgânica, sendo que a nossa visita focou-se somente no Centro de Triagem.

Em 2018 o centro de triagem da Amarsul tratou de aprox. 768mil toneladas de lixo, sendo que apenas 25 mil é que foram efetivamente reencaminhados para reciclagem.

Porque é que apenas 25mil é que foram efetivamente reencaminhados para reciclagem? Este valor deve-se ao facto de haver inúmeros resíduos colocados erradamente nos ecopontos que dificultam a triagem e que contaminam os resíduos.

Por onde começou a visita guiada?

Começámos por visitar a “sala” onde são deixados os resíduos recolhidos do ecoponto amarelo. Aqui deveriam chegar apenas elementos de plástico e metal (PET, Tetrapack, PEAD…) mas já sabemos que isso não acontece pois há quem meta de tudo para dentro dos ecopontos. Nesta pilha de resíduos, vimos almofadas, peluches, mochilas, sapatos, entre muitos outros produtos que não deveriam estar naquela secção. O que vimos em maior quantidade foram sem dúvida garrafas de refrigerantes e de água.
Aqui, uma retroescavadora colhe os resíduos e despeja-os numa máquina que os despeja gradualmente num tapete rolante de forma a evitar bloqueios e entupimentos nos processos seguintes. Quando uma secção pára, todo o sistema pára.

Os tapetes rolantes e a separação dos resíduos.

Após entrarem no tapete rolante, os resíduos passam por várias fases. A primeira é a passagem pela máquina abridora de sacos. Esta máquina foi uma aquisição essencial pois havia muitos trabalhadores que se cortavam. Muitas vezes, ao abrirem sacos, apanhavam elementos cortantes como lâminas, vidros e anzóis. Esta máquina também ajuda a dosear a quantidade de material que cai nos tapetes rolantes, evitando bloqueios.
Depois desta máquina, está um funcionário para remover os resíduos volumosos que são encaminhados para outra secção e removidos do sistema de triagem.

A remoção dos metais ferrosos e não ferrosos.

A parte mais simples deste processo de triagem é, na nossa opinião, a separação dos metais ferrosos e não ferrosos. Estes são separados por um electroiman que os encaminha para contentores, onde posteriormente serão prensados e enfardados para serem enviados para reciclagem.

Veja aqui o vídeo da compactação dos metais.

A separação das embalagens planas e não planas.

Em seguida, os resíduos passam por uma máquina que separa as embalagens planas das não planas. As embalagens não planas são encaminhadas para a linha de separação automática que consiste num sensor ótico que deteta o tipo de material, separando-o no tapete. Posteriormente, válvulas pneumáticas encaminham os resíduos para compartimentos específicos, para posteriormente serem prensados e encaminhados para valorização.
As embalagens planas, passam por triagem manual. Aqui, a mão humana é que faz a separação dos resíduos para os compartimentos específicos.

E o plástico fino?

O plástico fino, ou de reduzidas dimensões, é aspirado ao longo do processo e encaminhado para um contentor no exterior. Estes, vão diretamente para o aterro. Entre estes plásticos encontramos: embrulhos de plástico de maços de tabaco, papel de rebuçados, embrulho de pastilhas elásticas, paus de cotonetes, película aderente, entre outros.
Por serem muito leves e estando o contentor no exterior, é bem visível que muito deste plástico voa pela ação do vento estando a zona envolvente ao centro de triagem cheio de plástico fino e leve.

A nossa questão.

Se estes produtos não são reciclados, porque são permitidos em grande escala no mercado em Portugal?! Para quando legislações que proibam a utilização destes materiais que não têm destino mas que no entanto são consumidos diariamente às toneladas?

Fica aqui o nosso testemunho de uma visita que ainda tem muito mais para contar e que será partilhado no próximo artigo.

 

Referências e recomendações de visualização:

Vídeo Reciclar é Agora: https://vimeo.com/268402166

Vídeo O Mundo Conta: https://vimeo.com/232641714

Vídeo Feitas as Contas do Município de Campo Maior: https://www.youtube.com/watch?v=upoDjZjGuq0

Viagem ao Mundo da Amarsul: https://youtu.be/Lnfob_qcyZY

 

Agradecimentos:

Sílvia Peixoto, Área de Comunicação e Sensibilização da Amarsul.

Paula Gama, Engenheira do Ambiente.

 

 

One thought on “[Parte 1] Triagem do Plástico. Como funciona?

  1. Claudia Coelho says:

    Não fazia ideia do processo da reciclagem. E realmente, se muitos dos plásticos finos nem são reciclados, devia ou ser proibido a venda de tais plásticos ou então melhorarem as condições de triagem para que não haja essa perda.
    Muito obrigada por estas informações, Catarina!

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