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O impacto ambiental da energia nuclear!

A energia nuclear é ainda um tema controverso que divide muitas opiniões. Há quem diga que traz muitas vantagens e há quem diga o oposto. E foi por isso, que pusemos as mãos na massa e fomos pesquisar! 

É um tema complexo, mas ao longo do nosso trabalho de pesquisa, conseguimos chegar a algumas conclusões bastante interessantes e que dão que pensar. 

Para além disso, no próximo dia 26 de Setembro, é o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas nucleares, e essa também foi uma das razões, que nos levaram a querer partilhar esta informação convosco. Cada vez mais, é importante estarmos cientes do que está a acontecer no mundo. 

Esperamos que este artigo vos ajude a esclarecer algumas dúvidas que tenham sobre energia nuclear e, por isso, no mesmo vão ver respondidas perguntas tais como: 

          • O que é a energia nuclear? 
          • Quais as vantagens e desvantagens? 
          • O Caso de Chernobyl 
          • Como é que se pode usar a energia nuclear? 

 

O que é a energia nuclear?

Produzida em reatores nucleares, a energia nuclear tem origem na divisão do núcleo de um átomo, que liberta calor suficiente para o fabrico de energia.  

Segundo a National Geographic, o combustível utilizado para que os reatores consigam produzir esta energia é o urânio, um metal bastante radioativo e reativo. Quando este se começa a dividir, liberta partículas que fazem com os outros átomos de urânio também se comecem a dividir, criando assim uma reação em cadeia e uma grande libertação de calor. 

Mas como é que este calor se transforma em energia? Quando o mesmo é libertado, este vai aquecer um agente que ajuda a resfriar, normalmente é utilizada água, mas em alguns reatores é utilizado metal líquido ou sal fundido. Quando este agente é aquecido produz vapor que faz girar turbinas ou rodas gigantes que acionam os geradores e motores que produzem a eletricidade. 

 

energia nuclear impacto ambiental

 

O tipo de urânio usado para a produção de energia nuclear é raro e representa menos de 1% do urânio no mundo! 

Só para terem uma noção, um reator utiliza cerca de 200 toneladas de urânio por ano, mas através de processos complexos eles conseguem reaquecer ou reciclar o mesmo. O que permite, a diminuição de extração e processamento. No caso dos Estado Unidos, eles conseguem extrair no próprio país, mas também importam da Austrália, Canadá, Cazaquistão, Rússia e Uzbequistão. Conseguem imaginar o impacto ambiental que isto tem? Já para não falar da mão de obra necessária para o processo de extração. 

 

Vantagens e Desvantagens

A produção de energia nuclear apesar de ter benefícios possui também grandes contras. Por exemplo, não é preciso uma quantidade muito grande de combustível para se conseguir gerar uma grande quantidade de eletricidade, contudo caso os resíduos radioativos produzidos fiquem expostos, os mesmos permanecerão durante muitos anos e são muito perigosos para os humanos e para o ambiente. Só isto, para nós, é assustador e admito que pouco apelativo. 

Contudo, existem mais algumas vantagens e desvantagens que precisamos de ter em atenção antes de formarmos qualquer tipo de opinião sobre a mesma: 

Vantagens 

  1. Custo de combustível baixo; 
  2. A baixa quantidade de combustível necessário, faz com que haja baixo impacto na extração e no transporte; 
  3. Pouca quantidade de combustível produz uma enorme quantidade de energia; 
  4. Não liberta gases de efeito de estufa; 
  5. O vapor resultante do resfriamento volta a ser água e pode ser usado para produzir mais eletricidade. 

Desvantagens 

  1. Não é considerada energia renovável, porque o urânio não é uma fonte ilimitada e o seu tempo de renovação é lento; 
  2. Um acidente nuclear prejudica tanto o ambiente como os seres humanos; 
  3. A grandes centrais nucleares provocam a chamada poluição térmica, que afeta as águas residuais e consequentemente a vida marinha; 
  4. Os resíduos provenientes da produção de energia nuclear são radioativos e o seu descarte para ser realmente seguro tem um custo muito elevado; 
  5. A extração do urânio liberta arsénio e radónio que são muito perigosos para a saúde das pessoas que estão encarregues de o fazer. 
  6. São necessárias grandes quantidades de água para produzir energia. Segundo a Solar Reviews, em 2015, os Estados Unidos consumiram cerca de 320 mil milhões de água só para produzir energia nuclear. 

 

O Caso de Chernobyl

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A catástrofe nuclear de Chernobyl, foi o acidente mais grave que ocorreu numa central nuclear. Em 1986, a central nuclear ucraniana foi submetida a um teste de resistência onde falhou miseravelmente, pondo em perigo a saúde de milhares de pessoas e do ambiente. O teste consistia em verificar se os sistemas de segurança funcionavam corretamente e chegou-se à conclusão de que existiam imensas anomalias. E adivinhem o que causou a explosão? Essas mesmas anomalias! Estas foram a causa da explosão e do incêndio no reator, que fez com que fosse libertada uma nuvem radioativa na atmosfera.  

Muitos dos bombeiros que tentaram apagar o fogo no reator acabaram por falecer, devido à fuga radiotiva que era impossível de conter. A falta de preparação e informação sobre os efeitos da radioatividade na saúde humana e no ambiente, fez com que muita gente não fosse evacuada a tempo daquela zona. Só quando se passaram 3 dias após ter acontecido a catástrofe é que se reconheceu que havia um problema em Chernobyl. E isso só aconteceu porque a central nuclear sueca, que estava a mais de 1000km detetou níveis de radiotividade extremamente elevados, segundo a RTP Ensina. 

E quais os efeitos secundários?

 A quantidade de radiação libertada durante a explosão foi tão grande que especialistas acham que a mesma corresponde a 400 bombas atómicas! Para além disso, não só contaminou todo o território ucraniano, como o da Bielorrúsia, Rússia, Suécia, Noruega e Finlândia. 

A explosão criou uma chuva de partículas radioativas, que para além de ter caído na zona de Chernobyl, entraram também no ciclo da água, aparecendo mais tarde como chuva radioativa que atingiu a Escócia e a Irlanda. 

Para além disto, o impacto ambiental ao redor das instalações onde se deu a catástrofe, foi enorme! A floresta de pinheiros ao redor das mesmas, secou e morreu por completo, os peixes do rio Pripyat tinham tanta radioatividade que as pessoas deixaram de os poder pescar para se alimentarem e o gado e os cavalos não conseguiram sobreviver. 

De acordo com a National Geographic, ainda existe muito medo de que as instalações de armazenamento do lixo radioativo, se venha a desgastar ou que venha a ser exposto. Isto porque, irá ter um enorme impacto ambiental, uma vez que irá contaminar o solo e as águas subterrâneas que estão próximas das instalações. Caso isto aconteça, a saúde das pessoas e dos organismos que habitam nas proximidades daquela área correm perigo. 

Em relação aos seres humanos, mais de 100.000 pessoas tiveram de abandonar as suas casas e os efeitos de envenenamento por radiação só apareceram passados muitos anos em forma de doenças como o cancro. 

Como é que se pode usar a Energia Nuclear? 

Existe muito a ideia de que a energia nuclear apenas serve como forma de conseguirmos produzir eletricidade, contudo, a mesma é utilizada para inúmeras coisas que não temos ideia. Por exemplo, sabiam que a energia nuclear pode ser usada na medicina, exploração espacial e até na dessalinização da água? Vamos explicar tudo a seguir! 

 

1. Medicina 

Segundo a IAEA – International Atomic Energy Agency, a medicina e a nutrição têm sido as áreas onde a energia nuclear tem sido mais usada. A mesma tem sido uma grande valia em projetos de pesquisa e no desenvolvimento de equipamentos.  

As tecnologias feitas com energia nuclear conseguem ver o que se passa dentro do nosso corpo e ajudar no tratamento de algumas doenças. Como exemplo, temos o uso da pesquisa que foi feita com energia nuclear, que ajudou os especialistas perceberem a quantidade de radiação que é necessária para matar tumores sem danificar células saudáveis.  

Para além disso, grande parte dos hospitais nos Estados Unidos, esterilizam os seus equipamentos médicos com raios gama de forma segura, como seringas, curativos para queimaduras, luvas cirúrgicas e válvulas cardíacas. 

 

2. Exploração espacial 

Os geradores das naves espaciais que não possuem tripulação, são movidas com energia nuclear, que é produzida à base de plutónio. E por essa razão, podem ficar no espaço durante anos sem supervisão.  

De acordo com o Instituto de Energia Nuclear, a nave espacial Voyager 1, que foi lançada em 1977 continua a transmitir dados até hoje! 

  

3. Dessalinização de água 

Infelizmente, cerca de um quinto da população mundial não tem acesso a água potável. Conseguem imaginar o que seria abrirem a vossa torneira de casa e não conseguirem ter água para beber? 

E por isso, um dos estudos que ainda está em processo é o da remoção do sal da água salgada. A dessalinização da água, é um processo que requer muita energia e as instalações de energia nuclear podem fornecer a quantidade que as mesmas precisam. 

Desta forma, consegue-se aumentar o número de água potável disponível no mundo. Espero, é que esta água depois seja direcionada para os países onde existe uma grande escassez deste recurso e onde as pessoas realmente irão dar valor à água. Já para não falar das normas que irão existir para proteger os Oceanos. Isto porque, não nos podemos esquecer que existem seres vivos que precisam de água salgada.  

 

4. Armas nucleares 

Infelizmente, como tudo o que há no mundo, a energia nuclear também pode servir para criar armas nucleares, como bombas atómicas. As mesmas podem demolir cidades em apenas segundos e expelir uma grande quantidade de radiação. 

E é por essa razão que em 2017, foi criado um tratado internacional para que não houvesse propagação deste tipo de armas. 

 Como o combustível nuclear pode ser usado para criar armas nucleares, bem como reatores nucleares, apenas as nações que fazem parte do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), assinado em 1968, têm permissão para importar urânio, plutónio ou outro combustível nuclear. O tratado promove o uso pacífico de combustível nuclear, além de limitar a disseminação de armas nucleares. 

 

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