Dicas para ser uma mãe mais sustentável

5 Dicas para uma Maternidade mais Sustentável

Apesar de ainda não ser mãe, incluir escolhas sustentáveis durante a maternidade, não deve ser um bicho de sete cabeças. O importante é perceber o que realmente funciona para ti e o que realmente está ao teu alcance. Uma coisa a ter em mente é que ao optar-se por escolhas mais conscientes, não só é bom para a nossa carteira como para o nosso planeta!

Neste artigo, vamos dar-te 5 dicas para tornares uma das jornadas mais especiais da tua vida, amiga do ambiente.

 

1-  Reutilizar é a Chave

A chegada de uma criança implica que seja necessário adquirir vários objetos que nos ajudem nos desafios do dia a dia. Carrinhos para bebé, o berço, a roupa de bebé e para a mãe do bebé e os brinquedos, são algumas das coisas que são cruciais para esta nova jornada.

E porquê comprar tudo novo, se temos sempre um familiar ou um amigo  que tem algumas das coisas que precisamos para esta nova jornada? Pedir emprestado, reutilizar, não deve ser motivo de vergonha. Não somos mais ou menos que ninguém por isso. Não é o poder de compra que está aqui em jogo, mas sim a preocupação ambiental. 

As crianças crescem demasiado rápido e muitas das coisas que compramos nem sempre são utilizadas na sua totalidade.

Na minha família há uns anos isso aconteceu, quando a minha prima mais nova nasceu. A minha tia como era a primeira vez que estava grávida, ainda não tinha nada do que era preciso. Então a minha mãe resolveu, dar-lhe alguns dos artigos que eram meus quando era criança.

Uma coisa engraçada que acontece sempre que vou a casa da minha tia, é que ela comenta que a roupa que a minha prima está a usar numa foto já foi minha e começa a contar as típicas histórias de quando eu era criança.

Caso não tenhas, ninguém que te possa facilitar produtos para bebés, uma boa solução é comprar em segunda mão. A chegada de uma criança não tem de ser sinónimo de consumo em excesso.

 

2- Fraldas Descartáveis ou Fraldas Reutilizáveis?

O mercado oferece imensos produtos de cuidados para os bebés e é muito fácil comprarmos produtos que não são de todo sustentáveis. Desde as fraldas aos produtos de higiene, os artigos para crianças pecam imenso na forma como são embalados e até mesmo como são produzidos.

Por exemplo, quando pensamos em fraldas descartáveis apenas pensamos no depois do seu uso, mas é extremamente importante ter em consideração todo o processo de produção. Um dos componentes das fraldas é o poliacrilato de sódio que é um sal que dá a propriedade absorvente às fraldas. O problema deste componente é que ele é super poluente e não é biodegradável

Segundo a Smart Medical Solutions, para fabricar 5500 fraldas descartáveis são abatidas cerca de 5 árvores. Se elevarmos isto a uma escala mundial são utilizadas mil milhões de árvores, por ano, só para a indústria das fraldas. Para além disso, podemos ainda adicionar à produção, enormes quantidades de água e energia e altas emissões de dióxido de carbono.

Só aqui temos 3 enormes problemas: desperdício de energia, poluição em grande escala, desflorestação e produtos não sustentáveis.

De uma forma resumida, as fraldas descartáveis estão em terceiro lugar nos itens mais encontrados nos aterros sanitários, representando assim 4% dos resíduos sólidos. A sua produção gera 2.3 vezes mais água dos que as fraldas reutilizáveis e o seu uso gera 60 vezes mais lixo. Já isto nos diz muito os efeitos negativos da utilização deste produto.

Mas será que as fraldas reutilizáveis são uma boa opção? 

Segundo um estudo da Quercus, a utilização de fraldas reutilizáveis reduz cerca de 8kg de resíduos por semana a cada bebé. 

Contudo, é muito importante ter em conta que, para a utilização destes produtos seja fielmente sustentável, é necessário ter em atenção alguns aspectos, como a temperatura e o horário da lavagem, o detergente utilizado, a secagem das fraldas, a utilização de equipamentos com eficiência energética de classe A e a utilização da fralda em mais do que um bebé. 

Não existe uma resposta certa, para se devemos utilizar fraldas descartáveis ou fraldas de pano. Claro que à primeira vista, utilizar fraldas de pano é muito mais sustentável do que utilizar as fraldas descartáveis, mas é necessário ter em conta um conjunto de factores para que esta seja a escolha realmente acertada.

Podes saber mais sobre fraldas reutilizáveis e descartáveis aqui!

 

3 – Brincar de forma consciente

Os materiais degradáveis, ao contrário dos biodegradáveis, não necessitam de microorganismos para se degradarem. Durante o seu processo de degradação, são adicionados químicos para que seja possível quebrar facilmente, as moléculas destes materiais.

No final, estes transformam-se nos microplásticos, que já são conhecidos por contaminarem os nossos mares e vida marinha!

A nossa preocupação não deve ser apenas a quantidade de coisas que vão parar ao aterro sanitário e sim todos os recursos naturais que são utilizados para que fosse possível termos aquele objeto em nossas casas.

Durante a produção de um brinquedo de plástico, para além do uso de inúmeros polímeros (derivados do petróleo), é necessária uma enorme quantidade de energia elétrica e água. Já para não falar dos resíduos sólidos e da poluição que é gerada durante a sua produção.

E por isso, o consumo consciente não deve ser apenas aplicado nos objetos básicos do nosso dia – a – dia, mas também nos brinquedos das crianças.
O interesse de uma criança é extremamente curto e por isso a nossa sugestão é apostar na troca de brinquedos ou comprar em segunda mão.

Uma loja que sugerimos é a Kid to Kid, uma loja de produtos em segunda mão que está em Portugal desde 2003. É uma loja dedicada inteiramente a produtos para crianças, onde, para além de poderes comprar lá o que precisas, podes também vender alguns artigos de criança que tenhas em casa (em bom estado) e que não estejas a dar uso.

3 Motivos para aderir à troca de brinquedos! 

1º Diminuir o desperdício: Um dos grandes problemas de comprar brinquedos, é a sua embalagem. Metade dela é constituída por plástico convencional. E não estou só a falar da embalagem por fora, mas também de todas as pecinhas de plástico que vêm dentro da embalagem para que o brinquedo fique direitinho dentro da mesma. 

2º Poupar Dinheiro: O custo de um brinquedo, não é de todo proporcional às vezes que uma criança vai brincar com ele. Ao fazer uma troca de brinquedos, não está a gastar dinheiro e o teu filho poderá brincar com um brinquedo diferente todos os dias.

3º Livre-se dos brinquedos que estão metidos a um canto: As crianças crescem super rápido e perdem o interesse nos brinquedos de igual maneira. Maior parte dos brinquedos são colocados a um canto passados dois meses ( ou até menos),e por isso, existe uma enorme tendência a deixar acumular brinquedos que ainda estão em perfeito estado. Trocar os brinquedos , quer seja com familiares ou amigos é uma ótima ideia para se adquirir algo que se vai dar mais utilidade. Contudo, podes sempre recorrer à doação, caso queiras mesmo diminuir a quantidade de brinquedos do teu filho.

 

4 – Ensina a ser sustentável

Ensinar uma criança o que é ser sustentável, vai muito mais além do que explicar a definição deste conceito. Mais do que palavras, são necessárias ações! 

Quando mostramos e damos o exemplo, é muito mais fácil incentivar as crianças a fazer o mesmo. 

1.  Ensina a reciclar 

Separar o lixo é uma atividade bastante importante e que ao mesmo tempo pode ser divertida. Para além, dos conceitos mais básico da reciclagem, pode ser interessante ensinar a cuidar dos resíduos que são produzidos em casa, como por exemplo a compostagem e as suas vantagens para o solo. 

2. Poupar água 

Um dos hábitos mais simples e fáceis de implementar na vida das crianças, é ensinar a poupar água. Escovar os dentes com a torneira fechada e tomar banhos rápidos, é um bom começo para um consumo de água mais consciente.

3.Moderar o uso de energia

É muito importante cuidarmos do nosso consumo de energia. As fontes que ainda utilizamos atualmente são a causa da poluição. Ensinar as crianças que a luz deve estar apagada quando não estamos naquela divisão da casa e que não se deve ter a televisão ligada quando ninguém está a ver, são pequenos passos que a longo prazo fazem uma enorme diferença.

4.Consumir menos alimentos industrializados

Explicar a história dos alimentos e tudo o que é consumido. Desde a sua origem até como é produzido e distribuído, e como isso impacta o meio ambiente. Quais as diferenças entre os alimentos orgânicos e não orgânicos, e a importância de escolher alimentos que possuam embalagens que possam ser recicladas ou compostáveis. Um dos maiores presentes que podemos dar às crianças, é ensinar o respeito e o amor pelo nosso planeta. As crianças de hoje são os adultos e os pais de amanhã. Educar as crianças para um consumo consciente e um desperdício nulo, é crucial.

 

5. Não queiras ser perfeita

Não existem manuais de instruções e respostas correctas quando se quer ser uma eco-mãe. Existem hábitos que parecem mais óbvios de adotar, mas nem sempre essas práticas se adotam à nossa realidade. 

Podem haver dias em que não vais conseguir ser uma mãe mais sustentável? Vai! 

Não tens possibilidade de comprar fraldas de pano? Tudo bem. 

O importante é que insiras outros hábitos mais conscientes e continues a aprender como consumir conscientemente e com menos desperdício.

Deixe uma resposta

Options