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O Impacto Ambiental das Encomendas Online

Nas últimas décadas a nossa forma de comprar mudou completamente. Se antes tínhamos de nos deslocar quilómetros para comprar um produto, agora estamos à distância de um clique.

Podemos afirmar que a nossa qualidade de vida melhorou com esta nova forma de fazer compras. Agora conseguimos adquirir produtos do outro lado do mundo, que sem a internet não seriam possíveis de adquirir. Um grande problema que se coloca, é a forma como compramos. Muitas vezes, preferimos um produto de outro país que tem um preço mais baixo enquanto que podemos adquirir exatamente o mesmo, no nosso país. Já para não falar da forma como foram produzidos e o impacto que têm a nível ambiental e laboral.

Com a Black Friday a chegar, decidimos escrever este artigo, para vos explicar o porquê de ser tão importante conhecerem as lojas online onde fazem as vossas compras.

 

Compras online 

lojas online sustentáveis

De acordo com a revista Forbes, as compras online vão ser cada vez mais uma realidade na nossa vida. Para terem uma noção, só no ano de  2018, cerca de 1,8 mil milhões de pessoas em todo o mundo compraram online e a tendência é que aumente ainda mais!

Segundo um relatório da Nielsen de 2019, em Portugal,  as compras online vão aumentar até ao final do ano de 2020. Este poderá ter um impacto negativo ou não, dependendo da atitude do consumidor. O que leva o consumidor a comprar? Impulso? Precisa realmente daquele produto? Há a possibilidade de devolver o produto sem qualquer custo caso não corresponda às expectativas? 

No nosso país somos cerca de 10 milhões, se todos nós começarmos a comprar online e fazer uma devolução, pensem nas emissões de CO2 que vão ser originadas.

Estas são algumas motivações que podem impactar negativamente este sector e há que ter em atenção diversos aspectos. Contudo, sabiam que as compras online também podem ter algumas vantagens quando comparadas com as lojas físicas? Iremos explicar tudo de seguida.

 

O Impacto das compras online no ambiente 

ecommerce

Em 2019, o jornalista ambiental, Fred Pearce, escreveu um artigo na revista Ensia, onde explica de forma resumida, de que forma as encomendas online podem ter consequências negativas no nosso planeta. 

Como exemplo fala do Reino Unido, onde são feitas em média, por supermercado, cerca de 120 entregas diariamente. Fred menciona também que, em média, são contabilizados 80 quilómetros diários por supermercado, que corresponde a aproximadamente 20 kg de CO2. Se uma pessoa se deslocar até ao supermercado no seu transporte individual, são feitos em média cerca de 21 km, ida e volta, o que gera 24 vezes mais CO2! 

Apesar desta situação ser no Reino Unido, pode ser adaptado a qualquer país, incluindo o nosso. As entregas feitas em casa, podem emitir menos CO2 quando comparadas com a nossa deslocação de automóvel individual, porque a carrinha da transportadora leva de uma só vez, diversas encomendas e assim não existe tanta emissão de gases de efeito de estufa. 

Vamos imaginar a situação de outra forma. Imaginem que um membro da vossa família não tem transporte próprio e que lhe pede boleia para ir fazer as suas compras no supermercado. Depois vem mais um familiar e  aproveita o facto de vocês irem lá  e vai convosco . Ou seja, num só carro vão três pessoas! Isto significa que houve duas vezes menos emissão de CO2, caso tivessem ido em 3 carros diferentes.

Neste ponto, gostaríamos também de vos falar do Dropshipping. Conhecem o termo? Existem inúmeras lojas online que não têm stock, funcionam a stock zero. Ou seja, quando realizam uma encomenda na loja e caso escolham produtos de vários fornecedores, cada um deles irá enviar a sua encomenda separadamente. Ou seja, ao realizar uma encomenda, posso receber inúmeros envios.

 

Mas as encomendas online são mesmo mais sustentáveis? 

Depende. Existem múltiplos fatores que podem fazer com não sejam. No nosso site, por exemplo, já disponibilizámos o envio de bicicleta que não apresenta emissões de CO2. Contudo, se considerarmos o envio para a morada do cliente (e não uma loja predefinida, como tem a DPD com o seu serviço de Pontos Pickup, por exemplo), as entregas  podem falhar a primeira entrega e por vezes até a segunda ou terceira. Aqui, a falha pode ser por vários motivos:

  • Indicação de morada incorreta pelo cliente;
  • Não estar ninguém na morada indicada quando o motorista tenta realizar a entrega;
  • Campainhas que não funcionam,
  • Dificuldade do motorista de encontrar a localização (casas sem número de porta, por exemplo);
  • Falta de tempo na volta e o motorista ter de regressar no dia seguinte,
  • Entre outros.

No que diz respeito aos primeiros pontos mencionados, é extremamente importante o cliente estar atento à informação que disponibiliza e não preencher os campos “a despachar”. Temos de abrandar o nosso ritmo e verificar bem a informação antes da confirmação final das encomendas.

Para além do mencionado acima, temos de considerar que existem muitas pessoas que compram 1 ou 2 produtos numa loja e outros noutra, realizando para a mesma morada vários pedidos que vêm de sítios totalmente distintos. Isto também aumenta imenso a pegada de carbono. 

E por falar em pegada de carbono, sabem o que é que faz com que esta também aumente? As devoluções!

 

1. Devoluções 

Segundo um estudo feito pelo jornal alemão Süddeutshe Zeitug, são feitas anualmente cerca de 250 milhões de devoluções. Para terem uma ideia, em média, a cada três produtos encomendados um é devolvido (felizmente não tem sido o caso na Mind The Trash, o que nos deixa extremamente felizes). A razão pela qual isto é acontece, é o facto de muitas pessoas fazerem compras por impulso. Quantas vezes já não compraram um produto, ficaram desiludidos e depois devolveram-no? Infelizmente, isso tem um custo para o ambiente.

Por exemplo, no caso da roupa, sabem para onde pode ir quando é devolvida? O mais correto seria limpá-la, repará-la caso tivesse defeito e colocar à venda novamente, certo? E se vos dissermos que muitas das vezes, as empresas queimam ou direcionam para aterros sanitários? Chocante!

As empresas de fast fashion descobriram que é muito mais barato deitar esses produtos fora, do que pagar a alguém para separar e/ou reparar esses produtos caso venham danificados.

Aconselhamos que vejam,  Para onde vão as devoluções online?, onde explicam o que acontece à roupa que é devolvida. A oradora desta palestra é Aparna Mehta, Diretora de Soluções Globais de retalho e ex viciada em compras e devoluções online. O testemunho dela é realmente chocante, e é a prova que a informação é muito importante para a mudança que queremos que aconteça.

ted talks

Para verem o vídeo, cliquem aqui!

 

2. Embalagens

De certeza que já fizeram uma encomenda e a primeira coisa que viram quando a abriram foi plástico! Imenso plástico a envolver os produtos e muito dele certamente que nem era necessário. Também certamente já se depararam com embalamento excessivo de um produto. Caixas dentro de outras caixas, sacos de plástico dentro de caixas, fita cola em excesso e “toneladas” de instruções em todas as línguas e mais alguma.

Aqui, para o envio, acreditamos ser fundamental tentarmos reutilizar o máximo de embalagens possível. Muitas caixas na maioria das empresas vão para reciclar estando ainda em perfeito estado para serem reutilizadas.

Um estudo feito pela universidade University of Exeter em 2009, afirma que é necessário haver uma redução de embalagens pelas lojas online. Infelizmente também vemos inúmeros produtos com embalagens secundárias que poderiam ser totalmente e facilmente evitadas. Para outros produtos, por muito que não se queira embalagem ou embalagem secundária, infelizmente a legislação não ajuda.

Mas existem inúmeros produtos em que bastaria apenas a embalagem do transporte. Por exemplo, no caso da roupa, é assim tão importante colocar cada peça dentro de uma bolsa individual de plástico? 

Infelizmente, isto não acontece só em marcas que não possuem valores sustentáveis. Nós próprios,  já nos deparámos com imensas lojas com produtos mais amigos do ambiente, que acondicionam as suas encomendas em excesso de material, seja plástico ou não e muitas vezes, nem é material reaproveitado sendo mais vantajoso em termos de logística o uso contínuo de acondicionamiento novo. Também já nos aconteceu receber artigos por uma empresa que luta contra o plástico nos seus produtos, contudo nos envios incluem em excesso papel bolha, esferovite ou bolsas individuais de plástico, falhando na coerência de toda a missão. 

Por isso é que é tão importante conhecermos as marcas antes de lhes comprarmos alguma coisa. A marca tem iniciativas focadas em problemas ambientais? É transparente em relação às suas ações? Os produtos são sustentáveis, mas as embalagens são de plástico? 

Tudo isto são tópicos que devem ser questionados, sempre que conhecem uma marca nova. Porque sustentabilidade, não é só ter produtos, naturais, orgânicos e biológicos. Ser sustentável é um conjunto de factores que tornam um produto eticamente correto tanto para o nosso planeta como para todos os seres humanos que trabalham nele.

Quanto a nós, Mind The Trash, estamos a tentar o nosso melhor, para vos trazer aquilo que acreditamos ser melhor. Não é uma jornada simples ou direta e mesmo a nossa visão vai mudando à medida que temos mais conhecimento sobre determinados temas ou empresas. Esperamos continuar sempre por aqui a dar o nosso melhor por aquilo que queremos: um futuro mais consciente e transparente.

 

Exemplo de um gigante: a Amazon 

amazon

Para quem não conhece, a Amazon é uma das maiores empresas de e-commerce do mundo, que se foca em fazer chegar a todas as partes do mundo todo o tipo de produtos. O problema, é que, para além venderem artigos que não são sustentáveis, apelam ao consumismo e a sua pegada de carbono é enorme.

São bem conhecidos os exemplos de envios e reclamações realizados por clientes da Amazon. Caixas enormes para produtos pequenos, excesso de acondicionamento, entre outros. Contudo, a prova de que a nossa voz é ouvida é a do plano que a Amazon lançou para melhorar a empresa em termos ambientais.

Sabiam que em 2019, cerca de 350 colaboradores da Amazon vieram à rua em forma de protesto, com o objetivo de pressionar a empresa a desfazer as parcerias que tinha com grupos de combustíveis fósseis e a comprometer-se a diminuir a emissão de gases de efeito de estufa das suas entregas? 

Após toda esta situação e pressionado pelos media, o CEO da Amazon, Jeff Bezos, comprometeu-se a criar um plano ambiental, de forma a atingir a neutralidade carbónica até 2040, 10 anos antes do que foi planeado no Acordo de Paris da ONU. 

 

Algumas das mudanças que a Amazon se comprometeu a fazer:

  1. Medição e divulgação regular das emissões de carbono;
  2. Implementação de estratégias de descarbonização alinhadas com o Acordo de Paris;
  3. Adoção de estratégias de compensação carbónica.
  4. Utilização de 80% de energias renováveis até 2024  e 100% até 2030.

 

Segundo o CNBC, uma das medidas que a Amazon irá implementar já em 2021, é a utilização de 10.000  carrinhas elétricas na entrega das encomendas. No entanto, o objetivo é chegar até 2024 com 100 000. Para reforçar ainda mais esta decisão, o atual vice presidente da Amazon, Dave Clark, mostrou nas suas redes sociais,como serão as carrinhas de entrega que irão permitir a diminuição das emissões de carbono.

Amazon carrinha

 

Momento de Reflexão

Neste momento, devem estar a perguntar-se de que forma é que cada um de nós, que não está dentro destas empresas, podemos agir para que haja uma real mudança?

A resposta é simples: 

Sejam cada vez mais exigentes nas vossas compras.Informem-se, analisem e tomem decisões conscientes. Todos os anos são gastos milhões de euros em todo mundo, em coisas que muitas vezes não são necessárias e que para a sua produção foram gastos recursos, que poderiam ser utilizados para algo realmente importante e útil para a nossa vida.

Cada compra que fazem é como se estivessem a votar para o que querem que aconteça realmente. Se isso não fosse verdade, não haviam cada vez mais cadeias de fast food a terem menu vegano ou lojas de fast fashion a mudarem os sacos de plástico por sacos de papel. 

Infelizmente, as empresas movem-se por aquilo que nós consumidores procuramos e não pelos valores genuínos de sustentabilidade. A mudança começa em nós, quer sejamos clientes ou trabalhadores. Se todos remarmos para o mesmo lado então vamos todos conseguir ter o futuro que queremos.

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