Comprar de forma Consciente

4 Dicas para Comprares de forma Consciente

Consumir de maneira consciente vai muito mais além de comprar ou não comprar algo que não precisamos verdadeiramente. É preciso que tenhamos em atenção se aquilo que precisamos, vai impactar negativamente o nosso planeta. Como é que foi produzido aquele produto? Por quem e onde foi fabricado? Quais os materiais de que é feito e como posso depois “descartá-lo”?

Quando estamos a comprar, é como se estivéssemos a votar para aquele produto continuar no mercado. Literalmente estamos a dizer que não nos importamos que aquele produto seja produzido por pessoas que vivem em situações precárias ou que aumentam a poluição do nosso planeta.

E por isso, decidimos neste artigo dar-te algumas dicas que não só  te vão ajudar a comprar o que realmente precisas como pensar mais no nosso planeta.

 

O que significa comprar de forma sustentável e consciente?

O consumo desenfreado é um dos grandes problemas do século XXI. Todos os dias são lançados centenas de produtos e todos os dias compramo-los sem pensar duas vezes. 

Apesar de cada vez mais se falar sobre sustentabilidade e das consequências que as nossas atitudes, como consumidores, têm no nosso planeta, ainda estamos longe de mudar completamente os nossos hábitos. Contudo, temo-nos apercebido do aumento de pessoas que querem realmente fazer a diferença e consumir de forma mais racional e consciente.

Como dissemos logo no início deste artigo, comprar de forma sustentável é muito mais do que pensar nos produtos em si. As empresas têm vindo a adaptar-se a esta recente realidade que tem vindo a ser uma das maiores preocupações dos consumidores. Cada vez mais vemos marca a lançar coleções de roupa sustentáveis ou marcas de produtos de higiene a tentar colocar no mercado produtos mais amigos do ambiente. Contudo a realidade não é assim tão bonita quanto parece. 

 

O nosso poder como consumidores

Comprar de forma consciente passa sem dúvida alguma uma mensagem às marcas, em relação ao tipo de produtos que queremos e o tipo de preocupações e cuidados que esperamos da parte delas.

Exemplo disso, são as inúmeras marcas que não estão ligadas ao movimento desperdício zero ou que não tinham até então demonstrado qualquer interesse no tema sustentabilidade e agora estão a desenvolver produtos e a fazer iniciativas em prol do ambiente. 

O nosso poder como consumidores começa sem dúvida muito antes de irmos às compras. Começa em casa no momento em que decidimos que “ hoje vou só comprar o que preciso e a quem confio!” 

Mas porque é que começa em casa? Porque é em casa, onde passamos grande parte do tempo e onde conseguimos ver o que realmente nos faz falta.

Atualmente, fazemos muito compras por impulso e muitas das vezes nem nos apercebemos que estamos a comprar produtos que incentivam a desflorestação ou que o seu final de vida não é assim tão “final”.

Por isso, deixamos-te com algumas dicas que podes ter em mente, sempre que fores comprar um produto ou fores fazer as tuas compras do mês.

 

Como podes começar a consumir de forma consciente?

Dica 1
Planeia antes de comprar

Planear antes de comprar

Todas as vezes que vamos ao supermercado, por exemplo, acabamos por trazer alguma coisa que não precisamos. Ou porque está em promoção ou simplesmente porque sentimos o impulso de comprar. Isto contraria tudo o que o consumo consciente defende, e por isso, é que é tão importante haver um planeamento. Não importa se é alimentação, roupa ou produtos de higiene. Planear vem sempre em primeiro lugar!

 

Sugestão:  

  1. Verifica o que já tens em casa e faz uma lista do que apenas te faz falta.

    No caso da alimentação, planeia as tuas refeições semanalmente ou mensalmente (da forma que te for mais prático). Assim já tens uma noção de todos os ingredientes que vais precisar para as tuas refeições e evitas gastar dinheiro no que não precisas.

    Dá preferência ao mercado local onde provavelmente conseguirás comprar toda a fruta e legumes que precisas sem estarem embalados. Se consomes carne ou peixe, nos mercados também encontras e podes sempre levar os teus taparueres para a quantidade que precisas, evitando assim trazer tudo em sacos. 

    Caso prefiras os supermercados, evita entrar nos corredores onde não precisas de nenhum artigo. E já reparaste que nos hipermercados há tabuletas a identificar os corredores? Guia-te por aí para ires aos corredores que pretendes! Assim consegues encontrar os artigos que querem com mais facilidade e evitam entrar em corredores desnecessários. Poupam tempo, dinheiro e impedem o desperdício!

    No caso da roupa, podes  fazer uma limpeza ao teu armário e perceber o que já não utilizas e o que precisas realmente. Mesmo que vás trocar peças de vestuário com amigos e familiares ou comprar em segunda mão, tem sempre em atenção se precisas mesmo. Não faz sentido estarmos a trocar uma peça que não usamos por outra que vai ficar igualmente parada no nosso armário.

    Muitas vezes também temos peças que não lhes damos uso por não as sabermos conjugar. Se achares que precisas, fala com um consultor de imagem que poderá ir a tua casa avaliar a tua roupa e ajudará a criar diferentes conjuntos com o que já tens. 

  2. Define um orçamento

    Sempre que vais comprar alguma coisa define o valor máximo que podes gastar. Pode parecer difícil, mas é muito importante estipularmos um limite quando vamos às compras. Se vires que estás a ir muito além do teu orçamento, verifica se só tens coisas que precisas mesmo. Às vezes damos por nós e já temos imensas bolachas ou doces no carrinho e isso não estava na nossa lista.

    Um conselho para quando precisas de comprar alimentos, não vás às compras com fome. Isso aumenta a tendência a levarmos coisas completamente desnecessárias e que fazem mal à nossa saúde.

  3. Compra  a Granel

    Muitas pessoas ainda não conseguem comprar a granel, porque não têm nenhuma loja deste género perto do local onde moram. Contudo, se tiveres oportunidade, tenta pelo menos uma vez por mês fazer as tuas compras numa loja a granel. 

    Aconselho a utilizares a dica 1Verifica o que já tens em casa e faz uma lista do que apenas te faz falta”. 

    Atenção: Não nos podemos esquecer que não é por ser a granel que podemos comprar tudo o que queremos e não temos necessidade.Tem também em atenção para não comprares a granel e usares sacos de papel ou plástico! Senão, quase que mais valia comprar em maior quantidade no supermercado! Leva os teus próprios frascos ou sacos.

 

Dica 2
Verifica sempre a data de validade dos alimentos

Verificar sempre a Validade dos Alimentos

Segundo uma notícia na Rádio Renascença, em Portugal são deitadas para o lixo 50 mil refeições diárias. Completamente absurdo, não é?

Em Portugal somos 10,3 milhões e deitamos cerca de um milhão de alimentos ao lixo diariamente. A nível mundial são deitados ao lixo cerca de 1,3 milhões de toneladas de alimentos por dia! 

Ponho-me a pensar e pergunto-me como é que somos capazes de desperdiçar essa quantidade enorme de comida, sabendo que existem imensos seres humanos a passarem fome todos os dias e em casos extremos a morrer por não terem o que comer?

Por isso é extremamente importante só comprares o que precisas e ter em atenção aos rótulos. Se fores comprar um produto para consumir logo, devemos levar o que tem a validade mais curta, porque depois do prazo passar não vai ser vendido e vai para o lixo. 

Não vai mudar a fome que há no mundo, mas se todos nós tivermos em atenção e soubermos ler a data de validade, pode ser evitado muito desperdício alimentar. Assim conseguimos rentabilizar o que temos e impedir que mais comida vá parar ao lixo. 

 

Data de Validade

  1. “Consumir até”

    Refere a data até à qual o produto deve ser consumido. Normalmente produtos como carne fresca, lacticínios, sandes e refeições prontas costumam ter este tipo de designação.

  2. “Consumir de preferência antes de…”

    Refere a data até à qual os alimentos conservam as suas propriedades. É típico de produtos como o azeite, batatas fritas, cereais entre outros. Normalmente este tipo de produtos tem uma validade inferior a 3 meses. Isto significa que os alimentos podem ser consumidos após a data indicada, desde que tenham sido conservados da forma mais adequada.

  3. “Consumir de preferência antes do fim de…”

    Refere a data até à qual os alimentos conservam as suas propriedades. É típico dos produtos congelados e das conservas . Normalmente este tipo de produtos tem uma validade superior a 3 meses. Isto significa que os alimentos podem ser consumidos após a data indicada, desde que tenham sido conservados da forma mais adequada.

  4. Produtos sem validade

    Produtos como o sal, açúcar e o vinagre não possuem data de validade por serem conservantes naturais. Contudo é necessário ter em atenção a sua conservação, para que mantenham as suas propriedades.

 

Dica 3  
Compra roupa em segunda mão

A indústria da moda é a segunda indústria mais poluente do mundo e a que tem mais impacto negativo no nosso planeta. Numa sociedade onde cada vez mais é valorizado o comprar “novinho em folha”, é importante que façamos chegar esta triste realidade às pessoas que nos são mais próximas e começar a olhar para o nosso armário com outro olhar. 

Segundo o Diário de Notícias, em Portugal são deitados para o lixo 200 mil toneladas de têxteis por ano! Isto são 200 mil toneladas que poderiam ter sido reutilizadas, doadas ou vendidas em segunda mão (consoante o estado claro).

Em 2017, cerca de 200 756 toneladas de têxteis foram recolhidos nos resíduos urbanos, ou seja, 4% do total de resíduos produzidos em Portugal são têxteis, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Se fazemos este lixo todo e somos cerca de 10 milhões, pensem na quantidade de têxteis que são descartados no mundo todo!

De acordo com o The Guardian, a popularidade do “fast fashion” está a aumentar imenso e como consequência o aumento da escassez de matérias-primas sustentáveis tem vindo tristemente a decrescer. Em 2016, o aumento de compra de roupa aumentou quase em 200 mil toneladas, que se traduzem em 26 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono. Já para não falar das 350 mil toneladas que são enviadas para o aterro!

 

Será que sabemos os perigos por trás da roupa que vestimos todos os dias?

 

Um dos grandes problemas da roupa atual são as suas matérias primas. Normalmente a roupa que consumimos, tem na sua composição materiais sintéticos que são provenientes do petróleo. Resumindo, todos os dias cobrimo-nos de plástico e nem nos apercebemos!

Ciclo de Vida de uma Peça de Vestuário

 

Para além disso, as tintas que são geralmente utilizadas, têm compostos orgânicos altamente voláteis e não têm qualquer tipo de certificação. Muitas delas acabam por contaminar os rios, segundo o Centro de Informação de Resíduos da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza. 

Lembram-se quando dissemos que era um dos problemas? Pois bem, para além das altas emissões de gases de efeito estufa serem uma constante que acompanha cada peça de roupa desde a sua produção ao seu transporte, temos ainda a forma como são geralmente descartadas as nossas peças de roupa.

A partir de 2000 o Poliéster tornou-se no material favorito da Fast Fashion

Segundo a Associação Portuguesa do Ambiente no Diário de Notícias, em Portugal ao não existir “recolha seletiva de resíduos (têxteis), a sua recolha é feita em conjunto com a fração indiferenciada, pelo que o destino será aterro, valorização energética ou, nalgumas situações, produção de combustível derivado de resíduos”. Contudo prevê-se que a partir de 1 de Janeiro de 2025, seja obrigatória a recolha selectiva de resíduos têxteis. Irão ser implementados sistema de recolha seletiva de resíduos têxteis nos sistemas de gestão de resíduos urbanos. Desta forma, sempre que forem recolhidos, os têxteis serão encaminhados e preparados para reutilização e reciclagem.

Uma das perguntas que mais nos chegam é se ser sustentável é mais caro. Nesta situação em concreto pode ser muito mais barato do que se consumirmos roupa nova de lojas fast-fashion. Para quê comprar roupa nova todos os meses, se podemos trocar com a família e amigos ou então comprar em lojas de segunda mão? Sai bem mais barato tanto para a nossa carteira como para o nosso planeta.

Outra alternativa é colocares a roupa que já não precisas no coletor mais perto de ti. A Cruz Vermelha, a Cáritas Portuguesa e a ANAP são alguns dos contentores que estão espalhados pelo nosso país e que fazem a recolha de peças de roupa.

Grande parte das peças de vestuário são tratadas pela empresa Sarah Trading que está sediada em Seia. Iniciou a sua atividade em 2006 e tem como objetivo criar em Portugal a primeira central de tratamento de resíduos têxteis. Neste momento, desenvolve colaborações com instituições, municípios e empresas, de forma a dar resposta aos vários pedidos que lhe chegam diariamente.

A mesma está devidamente preparada para a recolha de roupa calçado e brinquedos novos ou usados. Depois do devido tratamento dos artigos, os mesmos são reencaminhados de forma a diminuir a quantidade de resíduos que vão parar aos aterros todos os anos.

Podes saber mais sobre a Sarah Trading, aqui!

Algumas sugestões de lojas em segunda mão

Se acompanham o nosso instagram, muitas vezes partilhamos dicas de onde podem ir comprar roupa em segunda mão e com qualidade. Um dos membros da nossa equipa, tem por hábito comprar roupa em segunda mão e quis deixar-vos aqui uma lista de lojas onde podem encontrar este tipo de artigos.

Retro city Lisboa;
A Outra Face da Lua;
Às de Espadas;
Feira Anjos 70;
Kid to Kid,
Micolet

Dica 4 
Conhece e valoriza as boas práticas das empresas

Conhecer e Valorizar as Boas Práticas da Empresa

Quando tentamos perceber se uma marca é realmente sustentável, muitas das vezes limitamo-nos a ver apenas se os seus produtos são realmente amigos do ambiente, o que não é de todo suficiente.  

 

Segundo a International Organization for Standardization (ISO 20400), comprar ou vender produtos de forma sustentável é “um processo que engloba várias  decisões que atendem às necessidades de uma organização para bens e serviços. O mesmo deve beneficiar não só a organização, mas também a sociedade como um todo, de forma a minimizar o seu impacto ambiental. Contudo isto consegue-se se forem asseguradas condições de trabalho decentes aos funcionários e aos fornecedores. Paralelamente a isto, os produtos ou serviços adquiridos devem ser sustentáveis, desde que são produzidos até ao seu descarte.”

Por aqui já podemos ver que é preciso olhar muito mais além do que as marcas nos apresentam todos os dias. Recomendo que sempre que tenham dúvidas mandem mensagem à marca, ou por email ou até mesmo por instagram e façam todas as questões que tenham. 

Transparência e confiança, são fundamentais para que consigamos realmente comprar de forma consciente e sustentável. De nada nos vale comprar produtos sustentáveis se depois são fabricados por pessoas que se encontram em situações precárias a viver de forma miserável ou se a empresa não tem boas práticas na sua cultura empresarial.

 

O caminho para ser realmente sustentável é longo e todos os dias é preciso ser mais sustentável do que ontem. Na Mind The Trash, temos a filosofia de que a confiança e a transparência é fundamental, quer com os nossos clientes quer com os fornecedores e parceiros. Assim, todos poderão usufruir dos nossos produtos com orgulho e permanecer conscientes de todas as nossas ações.

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